sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
domingo, 10 de dezembro de 2006
domingo, 3 de dezembro de 2006
Recado Especial

"Cansado, quase sem forças, sentado na pedra fria da torre que vigia a minha vida , com os cabelos soltos a serem agarrados pelo vento, escrevo-te. Olha nos meus olhos , e vê o que eu vejo.Um misto de laranja e branco velho acolhe cores novas. Lá pelo meio, as ruas que piso todos os dias . Ruas que me acompanharam em tantos momentos, e que testemunharam tanta coisa.Lá ao fundo, bem no alto, o meu leito. Sitio onde tantas as noites falei contigo, te abracei, te toquei, te beijei. Abrançando tudo o que vemos, o verde das árvores, dos campos cultivados dos jardins que rodeiam esta vila. Incrivel como estou aqui, e só quero estar aí contigo , olhando para a tua cidade do jardim que me falaste um dia. Tantas palavras que te escrevo, e todas elas eu trocara por um toque dos teus dedos na minha face.Ai, tantas saudades que tenho tuas, saudades que me vão picando o coração, tornando-o mais forte, e com amor por ti, a cada dia que passa. Olho em frente, e com o vento a mandar-me embora, sei que estás aí. Sei que o meu olhar te observa por mais longe que tu estejas. Sorrio! Despeço-me do Castelo promotendo-lhe que um dia trarei um ornamento que lhe dará toda a beleza que merece , tu. Nesse dia tenho que lutar por ti, porque tu és a pessoa mais importante da minha vida, e, sem ti estarei na infinita escuridão.
Amo-te."
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
terça-feira, 21 de novembro de 2006
domingo, 19 de novembro de 2006
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. E eu acreditava. Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco mas é verdade, uns olhos como todos os outros. Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor, já não se passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas.Adeus.
Eugénio de Andrade


